Os fundos de pensões são abrangidos pela definição de centros de interesses coletivos sem personalidade jurídica (artigo 2.º, n.º 1, alínea k) da Lei n.º 83/2017, de 18 de agosto), e por este motivo estão sujeitos, em matéria de identificação do beneficiário efetivo, à Lei de Combate ao Branqueamento de Capitais e ao Financiamento do Terrorismo (LCBCFT), aprovada pela Lei n.º º 83/2017, de 18 de agosto e ao Regime Jurídico do Registo Central do Beneficiário Efetivo (RJRCBE), aprovado pela Lei n.º 89/2017, de 21 de agosto.
No entanto, nos termos do artigo 30.º da LCBCFT, nem todos os fundos de pensões estão abrangidos pela obrigação de identificação e declaração do(s) beneficiário(s) efetivo(s), mas apenas:
- Fundos de pensões fechados, quando se verifiquem os critérios previstos nos números 5 e 6 do artigo 30.º da LCBCFT, ou seja, quando os fundos de pensões financiem, exclusivamente ou não, planos de pensões cujos participantes ou beneficiários sejam membros dos órgãos de administração dos respetivos associados, e quando pelo menos 2% do valor do fundo de pensões esteja afeto ao financiamento das responsabilidades passadas dos referidos participantes e beneficiários ou ao valor das suas contas individuais, são beneficiários efetivos aqueles participantes e beneficiários;
- Fundos de pensões abertos: no caso de adesão coletiva, quando se verifiquem os critérios previstos no n.º 7 do artigo 30.º da LCBCFT (no caso de contratos de cujo valor de adesão afeto ao financiamento das respetivas responsabilidades passadas, ou ao valor das suas contas individuais, represente pelo menos 5% do valor das unidades de participação desse fundo, são beneficiários efetivos aqueles participantes e beneficiários); e no caso de adesão individual, quando se verifique o critério previsto no n.º 8 do artigo 30.º da LCBCFT (considerando-se beneficiários efetivos quaisquer participantes e beneficiários que individualmente detenham pelo menos 5% do valor das unidades de participação desse fundo)
Nestes casos, caberá à entidade gestora do fundo de pensões cumprir os deveres de prestação de informação perante as entidades obrigadas a respeito do(s) beneficiário(s) efetivo(s), cabendo ao associado disponibilizar à entidade gestora do fundo os elementos necessários para o efeito, tendo como referência os elementos do último exercício aprovado.
Em suma, apenas são beneficiários efetivos de fundos de pensões a(s) pessoa(s) que preencha(m) algum dos requisitos previstos nos n.ºs 5 e 6 do artigo 30.º, n.º 7 do artigo 30.º, ou n.º 8 do artigo 30.º, da LCBCFT, conforme referido pela alínea h) do n.º 1 do artigo 2.º do mesmo regime jurídico.